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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Opnião: Realização do teste ergometrico: A escolha certa do protocolo!

Esta opnião é baseada nas Diretrizes de teste ergometrico da Sociedade Brasileira de Cardiologia publicada em 2010.

Há muito tempo sabemos que existem varios protocolos consagrados para a realização do teste ergometrico computadorizado em esteira, dentre eles: Bruce, Ellestad, Bruce modificado, Naughton, Bruce rampa e Rampa.
Apesar da evolução constante nos processos de execução do teste ergometrico a escolha dos protocolos para a realização dos exames de esforço recaem na maioria das vezes nos protocolos de Ellestad e Bruce.
Apesar de serem citados pelas diretrizes e terem suas indicações de aplicação, há muitas coisas que falam contra à utilização rotineira dos mesmos, como:
- Estagios fixos;
- Grandes incrementos de carga entre um estágio e outro;
- Dificuldade de avaliar a classificação funcional mais proxima do real (VO2 miocárdio), já que os avanços de estagios se dão por grandes saltos em METs como no protocolo Ellestad por exemplo, que vai do 3º estágio = 9 METs ao 4º estágio = 12 METs e se o paciente aguentar menos de 1 minuto será classificado com o VO2 miocardio equivalente a 9 METs, e porqual motivo não 10 METs?;
- Maior risco de quedas dos pacientes e de lesão muscular;
 
Em contrapartida a utilização dos protocolos como Bruce Rampa e Rampa possibilitam a utilização dos mesmos para praticamente a totalidade dos pacientes que realizam o exame de esforço em esteira independente da idade, principalmente pelos seguintes motivos:
- Protocolo mais fisiológico por incremento linear da carga de esforço sem grandes saltos ou incrementos abruptos como ocorre nos demais protocolos;
- Possibilidde de programar uma gama de variedades de carga de esforço muito grande individualizando a escolha do protocolo para qualquer paciente baseado sempre na avaliação da capacidade funcional pré esforço;
- A avaliação pré esforço permite determinar a provavel capacidade funcional do paciente em VO2, levando em consideração não só a idade, mas também o sexo, DAC conhecida, Cardiopatia conhecida, utilização de medicação cronotropica negativa, limitações funcionais motoras, limitações funcionais pulmonares, entre outros critérios;
- É possível não só programar a velocidade inicial e final, a inclinação final e o VO2 máximo estimado (em METs), como também reprogramar o exame se achar que a programação foi inapropriada ao paciente, promovendo uma avaliação mais adequada na maioria das vezes;
- Quedas e lesões dificilmente ocorrem.
 
Experimentem utilizar o protocolo Rampa em todos os pacientes, a aplicação do mesmo é dinamica e te dá condições na maioria das vezes de realizar uma avaliação clinica, funcional mais apropriada, devido as inumeras possibilidades de programação do protocolo Rampa.
O sucesso e qualidade técnica do exame de teste ergometrico só depende de você.

Extrasistole ventricular VSVD

Trata-se de um paciente com ritmo sinusal regular, eixo QRS entre 0 e 90º com evidencias de extrasistoles sugestivas de ventriculares (QRS aberrante, alargado em relação com o ritmo de base, orientação disinta da onda T em precordiais esquerdas e algumas derivações do plano frontal e ausencia de onda P precedendo a extrasistole). Se observarmos em DII longo evidenciamos que para cada batimento normal há 1 extrasistole, sendo definido como evento de bigeminismo.
As Extrasistoles ventriculares bigeminadas apresentadas no ECG tem morfologia de BRE e como podemos ver são positivas em D2, D3 e aVF, sendo de provavel Via de saída do Ventriculo Direito.
Laudo: Ritmo sinusal regular, extrasistoles ventriculares bigeminadas de via de saída do ventriculo direito (VSVD).

Extrasistoles ventriculares

Este tema é um dos mais amplos da Arritmologia.
 
A maioria dos Cardiologistas entende que são benignas, alguns acham que sempre são malignas.
Nem 8, nem 80, toda situação deve ser minuciosamente investigada no inttuito de avaliar alguns critérios muito importantes.
Algumas perguntas devem ser feitas:
- Idade (mais comuns em idosos);
- Presença de outros sintomas associados como pré sincope e síncope;
- Historia familiar de Morte Súbita;
- Medicamentos em uso?;
- Arritmia correlacionada com atividade fisica?, alguma hora especifica?, ou dormindo?;
- Doenças previas (tireoide?, intoxicação medicamentosa?, Doença das adrenais, etc...)
- Afecções agudas (Miocardite?, IAM (infarto do miocárdio)?, SIA (sindrome isquemica aguda), Tireotoxicose?, etc...);
- Existe alguma cardiopatia já diagnosticada? (Chagas?, Cardiopatia isquêmica?, Miocardiopatia dilatada de outra etiologia: alcoolica?, hipertensiva?, idiopatica?);
- Existe alguma evidencia de doenças como: Displasia arritmogenica do ventriculo direito (DAVD)?, Miocardio não compactado?, canalopatias?, Síndrome do QT longo?, Taquicardia ventricular polimorfica catecolaminérgica?, Síndrome de Brugada?, etc...
 
Obviamente cada patologia tem a sua peculiaridade e dependendo dos achados na propedêutica cardiológica e exames gerais a conduta vai variar desde medidas simples como supensão de medicamentos, passando por necessidade de Estudo Eletrofisiologico e Ablação (correção cirurgica das arritmias, por cateter), até a necessidade do implante de dispositivo eletronico conhecido por Cardiodesfibrilador (CDI).
 
Exames devem ser solicitados na propedeutica inicial como:
- Exames laboratoriais: Hemograma, ions, glicemia, passando por exames da função tireoideana até dosagem do NT pro BNP;
- Holter 24h e até mesmo a monitorização por mais dias através do LOOPER (monitor de eventos);
- Teste ergometrico computadorizado em esteira no intuito da avaliação funcional do sistema cardiovascular e determinação da densidade da arritmia ao esforço e se é por exemplo suprimida ao apice do exercicio e principalmente o que ocorre no 1º minuto da fase de recuperação;
- Ecocardiograma com Doppler colorido: Avaliação morfofuncional do coração, determinando função sistólica do ventriculo esquerdo (FEVE, força de bomba), diametros intracavitarios (DDVE, DSVE, AE, camaras direitas), Pressão sistólica na arteria pulmonar (PSAP), alterações segmentares de contratilidade, aspecto e funcionamento das valvas cardíaca caraterizando a valva mitral, aortica, pulmonar e tricuspide;
- Caso necessário a propedeutica pode estender-se para exames de avaliação morfologica mais acurada como Angiotomografia cardiaca ou Angioressonancia magnetica do coração.
 
Nos casos em que se define ausencia de Cardiopatia estrutural há formas idiopaticas dessas arritmias ventriculares e a maioria delas é passivel de tratamento por cateter (EEF e Ablação).
Nesses casos o Holter ajuda no intuito de definir morfologias presentes, se 1 ou mais e principalmente a densidade da arritmia ventricular, sabendo que tem valor prognostico quando > ou igual a 10% do valor total do QRS analisado em 24h.
Na proxima postagem segue exemplo de ECG de extrasistole ventricular.
 
 

BRD + BDAS

Trata-se de um paciente portador de BRD com QRS de 125ms e bloqueio divisional antero superior do ramo esquerdo. Observar eixo QRS a - 60º, já que a derivação mais isoeletrica no plano frontal é aVR e D2, D3 e aVF estão com amplitude resultante negativa do QRS. Abaixo o sistema Hexaxial para esclarecer a real posição do eixo cardíaco (ÂQRS).
Tais achados em ECG são muito comuns em pacientes portadores de Cardiopatia Chagasica.

Sobrecarga ventricular esquerda (SVE)

A definição de sobrecarga ventricular esquerda ao ECG é melhor definida seguindo alguns escores aumentando assim a sensibilidade para a detecção desta alteração. Nesse caso observamos os seguintes critérios: Morris, Cornell, Sokolow-Lyon, e padrão strain. Abaixo descrevemos cada um destes critérios, cada critério tem uma pontuação especifica. Quando maior ou igual a 5 pontos define-se SVE.

Sokolow-Lyon SV1 + RV5 ou 6 ≥ 35 mm

Cornell – Voltagem

(R aVL + SV3)

> 28 mm homens, > 20 mm mulheres

Romhilt-Estes ≥ 5 pontos

RaVL > 11 mm

RV6 > RV5
 
critérios para sobrecarga atrial esquerda

 

 

Sistema de pontos e escore de Romhilt-Estes para hipertrofia ventricular esquerda (HVE)

1. Voltagem

Onda R ou S nas derivações dos membros ≥ 20 mm

Onda S em V1, V2 ou V3 ≥ 30 mm

Onda R em V4, V5 ou V6 ≥ 30 mm                                              3 pontos

 

2. Segmento S-T e onda T com padrão de strain

Sem uso de digital                                                                       3 pontos

Em uso de digital                                                                         1 ponto

 

3. Desvio do eixo do QRS para esquerda ≥ -30o                         2 pontos

 

4. Duração do QRS ≥ 0,09 seg                                                     1 ponto

 

5. Aumento do átrio esquerdo (sinal de Morris)

Onda P em V1 > 1 mm de profundidade e duração > 0,04 seg    3 pontos

 

6. Deflexão intrinsecóide em V5 e V6 ≥ 0,05 seg                         1 ponto

 

Interpretação

Provável HVE                                                                               4 pontos

HVE                                                                                              5 pontos ou mais
 
Tais critérios foram retirados das diretrizes de eletrocardiograma de 2009 da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) e livros texto de ECG.

ECG, exemplo BRE

Observar padrão em V1 de qS e em V6 de qR e o alargamento habitualmente encontrado em pacientes com bloqueio do ramo esquerdo, neste caso com QRS de duração de 145ms. Novamente para entendermos como se dá a inscrição do QRS no BRE devemos entender o vetorcardiograma.

ECG, exemplo de BRD

Trata-se de um bloqueio do ramo direito, observar em V1 e V2 padrão RSr' com duração do QRS de 150ms. Entendendo-se o vetorcardiograma fica mais facil de entender a inscrição grafica no traçado do ECG em pacientes com BRD.